Fortaleza

Dicionário de ruas

por Márlio Falcão
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Um pouco de História

“Nosso grande defeito como povo e nação é o desdém pelo passado.

Ao ignorar o que fomos ontem, multiplicamos nossas mazelas

na política e na vida social, pois só o passado nos faz entender

o presente e preparar o futuro”.

(Flávio Tavares)

 

Muitos foram os trabalhos de pesquisa sobre as ruas de Fortaleza, quase sempre voltados para se relacionar “velhos nomes de ruas e praças” aos atuais, sem se preocupar com a legitimidade da homenagem, ou seja, com o merecimento desta ou daquela personalidade que se tornou patrono de uma rua, praça, travessa, ou avenida. Assim é que, s.m.j., exceto algumas personalidades mais conhecidas porque ligadas a fatos históricos, Fortaleza está cheia de ruas que receberam nomes de “ilustres desconhecidos” ou de personalidades que nada têm a ver com a nossa cidade, nem com o estado e nem mesmo com o país. É o caso, por exemplo, do Presidente Kennedy, que mereceu (?) constituir-se patrono de uma das mais importantes avenidas da Capital, além de denominar um bairro! O que fez este cidadão – que, diga-se de passagem, tinha Buenos Aires como capital do Brasil – pelo país ou pelo estado ou pela cidade de Fortaleza para merecer tal distinção? O que fez o Senador Robert Kennedy (irmão do Presidente Kennedy) para ser distinguido com o nome de grande avenida?

O fato assume enorme importância quando se percebe que inúmeras personalidades que efetivamente se destacaram na vida política ou social de Fortaleza ou do estado do Ceará, ficaram esquecidas, sem merecer tal distinção, ou foram em alguma época distinguidas, mas perderam a condição de patrono desse ou daquele logradouro, por conta de interesses políticos ou familiares ou eleitoreiros (Exemplo: Martim Soares Moreno, “Patriarca e Colonizador do Ceará”: a avenida que tinha o seu nome hoje se chama Avenida Coronel Carvalho; Padre Baltazar Correia, o “primeiro vigário do Ceará”: a rua que trazia o seu nome é hoje chamada Rua Seis Companheiros; Presidente Médici, que era patrono de uma avenida no Conjunto Palmeiras que hoje se chama Avenida Contorno…).


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Curiosidades

 

Você sabia?

O nome verdadeiro da Avenida Dedé Brasil é Avenida José Braga Brasil. A denominação foi aplicada pela Lei nº 1.050, de 04.05.1956, portanto há 58 anos. Alterar seu nome agora é apagar parte da história dos bairros da Parangaba, Serrinha e Itaperi e demonstra o total desconhecimento e desinteresse dos nossos vereadores pela história da cidade.

Você sabia?

A Rua Rúbia Sampaio, antiga Rua Cambirinhas, no bairro Farias Brito, tem por patrono Rúbia Ruivo Sampaio e a homenagem tem por justificativa “tratar-se da mãe do vereador Herval Sampaio”.

Você sabia?

A Rua Rosinha Sampaio, no bairro Quintino Cunha, tem por patrono Maria Rosa Bastos Sampaio, e a homenagem, consolidada pela Lei nº 3.284, de 06.10.1966, tem por justificativa “tratar-se da mãe do vereador Antônio Bastos Sampaio”.

Você sabia?

A Rua Dona Josefa Barros de Alencar, no bairro Messejana, tem por patrono Josefa Barros de Alencar, e a homenagem tem por justificativa “tratar-se da mãe do vereador José Barros de Alencar”.

Você sabia?

A Rua Dona Mendinha, que atravessa os bairros Cristo Redentor, Álvaro Weyne e Floresta, tem por patrono Maria Alves de Carvalho (Dona Mendinha), esposa do Coronel Carvalho, o mesmo que foi privilegiado tomando a denominação da Avenida Soares Moreno, “o desbravador e colonizador do Ceará”.

Você sabia?

Cerca de 1360 ruas de Fortaleza têm denominações repetidas.

Entre as cerca de 3.200 ruas que receberam nomes de “pessoas” 175 são nomes repetidos e denominam 430 artérias.

Entre as artérias que não trazem nomes de ”pessoas” (nomes diversos, inclusive de santos e santas pela dificuldade de distingui-los daquelas com nomes de municípios) 270 são repetidos e denominam 933 ruas.

Você sabia?

Das cerca de 3.200 ruas que trazem nome de ”pessoas” obtivemos dados biográficos de 1.463 (45,5%), inclusive local de nascimento, permitindo-nos produzir interessantes informações: Fortaleza “homenageia” cerca de 160 pessoas de 23 outros países, sendo 72 de Portugal e 30 da Itália. Os demais (58) representam outros 21 países.

“Homenageia” 392 pessoas de 20 estados brasileiros, sendo 73 do Rio de Janeiro, 47 de Pernambuco, 44 de São Paulo, 36 de Minas Gerais, 34 da Bahia, 32 da Paraíba e 32 do Rio Grande do Sul. As 94 restantes representam outros 13 estados.

“Homenageia”, ainda, 912 pessoas de 92 municípios cearenses, sendo 247 de Fortaleza, 59 de Aracati, 57 de Sobral, 31 do Crato e 30 de Baturité. Os demais representam outros 87 municípios.

Você sabia?

Cerca de 325 ruas receberam nomes de santos e santas: 245 (ou 75%) trazem nomes de santos e 80 (ou 25%) trazem nomes de santas.

Das 245 ruas com nome de santos 30 (ou 12%) trazem o nome de São Francisco; 26 (ou 10,6%) trazem o nome de São José; 16 (ou 6,5%) trazem o nome de Santo Antônio; 13 (ou 5%) trazem o nome de São João; e 11 (ou 4,5%) trazem o nome de São Raimundo. As demais 148 ruas ou 60,6% trazem nomes de diversos outros santos.

Das 80 ruas com nomes de santas 11 (ou 13,8%) trazem o nome de Santa Maria; 8 ou (10%) trazem o nome de Santa Lúcia; 7 (ou 8,7%) trazem o nome de Nossa Senhora de Fátima; 7 ou (8,7%) trazem o nome de Santa Isabel; 6 (ou 7,5%) trazem o nome de Santa Luzia; 6 ou (7,5%) trazem o nome de Santa Rita; 6 (ou 7,5%) trazem o nome de Santa Clara. As demais ruas (40) trazem nomes de diversas outras santas.

Entre as ruas que receberam nomes diversos (que não “os de pessoas” ou de santos e santas), as de maior relevância são: Rua Verde (47 artérias); Contorno (19 artérias); Pedestre (18 artérias); Paz (12 artérias); Esperança (9 artérias); Paraiso (8 artérias); Boa Vista (8 artérias); Boa Esperança (7 artérias).

Você sabia?

Há em Fortaleza grande número de ruas com nomes de pessoas vivas: Maria Luiza Fontenele, Padre (hoje Bispo) Aldo Pagoto, Adolfo Marinho, Padre Haroldo Coelho (falecido depois de feita a pesquisa), Atilano de Moura, Monsenhor Antônio Souto, Emerson Fitipaldi, Nelson Piquet, José Mogica, Lady Laura, Dom Cláudio Hummes, Porfírio Gomes, Oliveira Filho, Paulinho Paiakan, Allan Jones, Moroni Torgan, Mota Cambraia, Engenheiro Nereu Barreira, e outros que certamente há ainda por identificar.

Você sabia?

Tão grave quanto a distinção para com os vivos é a constituição de verdadeiros guetos familiares em certos pontos da cidade. No que chamamos gueto 1, localizado no bairro Jangurussu, o destaque é para a família A. Ribeiro, que detém 7 ruas no mesmo local: Rua Antônio A. Ribeiro, Rua Domingos A. Ribeiro, Rua Domingos A. Ribeiro, Rua Maria A. Ribeiro, Rua Maria A. Ribeiro, Rua Francisco A. Ribeiro e Rua Francisco A. Ribeiro. No gueto 2, na Lagoa Redonda, o reduto é da família Avelino: Rua Gilberto Avelino, Rua Francisco Avelino e Travessa Joaquim Avelino. No gueto 3, no Coaçu/Messejana, o domínio é da família Gurgel: Rua Vicente Gurgel, Rua Coletor José Gurgel, Rua Miguel Gurgel, Rua Beatriz Gurgel, Rua Dona Maria Inácio Gurgel, Rua Dona Julieta Gurgel, Rua Raimundo Gurgel, Rua Efízio Gurgel e Avenida Gurgel do Amaral. O gueto 4, também na Lagoa Redonda, apresenta Rua Miguel Guimarães, Rua Eduardo Guimarães, Travessa Eduardo Guimarães, Travessa Francisca Guimarães, Travessa Miguel Guimarães e Rua Pedro Guimarães. O gueto 5, em Cajazeiras, traz como destaque a família França: Rua Coronel Zacarias de França, Rua Maria Nogueira de França, Rua Gregório de França, Rua Gregório de França, Rua Gregório de França e Rua Francisca Nogueira Ramos (filha do Coronel Zacarias de França); o gueto 6, também na região de Messejana, tem por patrono a família Alencar: Rua Dona Josefa Barros de Alencar, Rua Coronel Dionísio de Alencar, Rua Padre José Carlos de Alencar, Rua Padre Pedro de Alencar, Rua Tenente Jurandir Alencar e Rua Guilherme Alencar. O gueto 7, no Jardim Fluminense/Bom Jardim, aparece a família Montenegro: Rua Milton Montenegro, Rua Milton Montenegro, Rua Osia Montenegro, Rua Almerinda Montenegro e Rua Engenheiro Luiz Montenegro; o gueto 8, na Cidade do Funcionário, é reduto dos Castros: Avenida Hermínio de Castro, Rua Joaquim Emílio de Castro, Rua Walter Castro, Rua Antônio de Castro, Rua Vicente de Castro Macedo, Rua Vicente de Castro Filho, Rua Evaristo de Castro e Rua General Caiado de Castro. No gueto 9, no Jangurussu, há pequeno reduto dos Arrudas: Rua Paulina de Arruda, Rua Rita de Arruda e Rua Gerardo Arruda. O gueto 10, na Sabiaguaba, é reduto dos Mesquitas: Rua Aluísio Mesquita, Rua Egilson Mesquita e Rua Régis Mesquita. O gueto 11, também na Lagoa Redonda, constitui área dos Andrés: Rua José André, Rua Luiz André, Rua João André e Rua Francisco André; o gueto 12, ainda na Lagoa Redonda, constitui área dos Bezerras: Rua Rosa Bezerra, Rua Laura Bezerra, Rua José Bezerra, Rua Dr. Airton Bezerra, Rua Francisca Bezerra, Rua João Bezerra e Rua Manoel Bezerra. Finalmente o gueto 13, no bairro Cocó, constitui área dos Pinto Bandeira: José Pinto Bandeira, Mariana Pinto Bandeira, Pinto Bandeira e Reverendo Bolívar Pinto Bandeira.

Você sabia?

A rua com o nome mais extenso em Fortaleza é a Rua Santa Terezinha do Menino de Jesus e da Sagrada Face, no bairro Cocó, seguida da Rua Engenheiro Agrônomo José Guimarães Duque, seguido de Rua Deputado Augusto Tavares de Sá e Benevides. A de menor extensão é a Rua Fé, seguidas de Lua, Mar, Sol, Fim, Céu, Eva, Eta, Juá.

Você sabia?

Muitos são os nomes “esquisitos” encontrados entre os que denominam ruas em Fortaleza. (Entre eles destacamos alguns dos que mais chamam a atenção: Aparentemente, Aceal, Amanha ou Amanhã), Ambira, Alfa Conlab, Bons Amigos (denominação oficializada), Brunano, Bucane, Cambessa, Tratuí, Paisin, Piaulino, Tapetelene, Sefara, Seis Companheiros, Setema, Tapynaré, Taquaril, Saudaria, Leubba, Ledda, Magal, Senaria e Mada. E ainda foram propostos por Lei Ordinária nomes como Helena Petrovna Blavatsky e Jean Pierre Chalot, entre outros.

Você sabia?

Martins Soares Moreno, “o colonizador do Ceará, o Patriarca”, imortalizado por José de Alencar em Iracema não denomina uma travessa sequer da nossa cidade!  Há tempos havia uma avenida que ligava os bairros Barra do Ceará ao Antônio Bezerra (chamada Avenida Soares Moreno), mas a denominação foi trocada (?) por Coronel Carvalho!!!!!!!!!!

Você sabia?

O Padre João Baltazar Correia, considerado “o primeiro vigário do Ceará” não denomina uma viela sequer de Fortaleza. Havia uma Avenida Padre Baltazar Correia no bairro Moura Brasil que foi aterrada na construção da Avenida Leste-Oeste (Presidente Castelo Branco). O nome do Padre Baltazar passou a denominar uma Rua na Barra do Ceará, rua esta que tem hoje o nome de Rua Seis Companheiros!!!!!!! 

Você sabia?

A Rua Professora Heloisa Ferreira Lima, no bairro Serrinha, tinha por patrono o governador (capitão-mor) João Batista de Azevedo Coutinho de Montauri. A Lei nº 6.375/1988 alterou a denominação e dedicou ao governador uma TRAVESSA no mesmo bairro!!!!!!

Você sabia?

Conselheiro Pena (Afonso Augusto Moreira Pena), o 6º presidente do Brasil é patrono de uma TRAVESSA no bairro Álvaro Weyne, enquanto Paulinho Paiakan, Lady Laura, José Mogica, Atilano de Moura, Nelson Piquet e outros “ilustres homenageados” são patronos de ruas ou avenidas!!!!!!!

Você sabia?

A Rua José Albano, no bairro Benfica, poeta, professor e diplomata, considerado “o maior e o mais belo poeta do Ceará em todos os tempos” teve sua denominação alterada – pela lei nº 4.571/1975 – para Rua Antenor (o nome correto é Atenor) Ferreira Wanderley!!!!!!

Você sabia?

A Avenida Adonias Lima (poeta, escritor e jornalista renomado, membro da Academia Cearense de Letras), no bairro Aeroporto teve sua denominação alterada para Avenida Celso Tinoco (piloto do avião em que viajava o presidente Castelo Branco no acidente em que este perdeu a vida)!!!!!

Autor

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Márlio Fábio Pelosi Falcão nasceu aos 23.05.1945 em Fortaleza-CE, onde concluiu o Curso de Agronomia em julho/1968. Iniciou sua vida profissional no estado da Bahia, contratado pela Secretaria de Agricultura para atuar no IBCR (Instituto Baiano de Crédito Rural), executor do Programa BID-204, de incentivo à pecuária.

Especializou-se na elaboração, análise, implantação e acompanhamento de projetos pecuários, retornando à Fortaleza em fins de 1972.

Ingressou no IBGE aos 01.06.1973 como Analista Especializado para coordenar a PEB-73 (Pesquisa Especial de Bovinos) e dirigir o GCEA-CE (Grupo de Coordenação das Estatísticas Agropecuárias), órgão responsável pela previsão de safras do Estado.

Participou da PASUL-74 (Pesquisa Agropecuária da região Sul) como instrutor. Em 1977 assumiu a chefia do SEAGRO (Setor de Levantamentos Agropecuários) em que permaneceu até 1985 quando foi designado para o cargo de Delegado Adjunto, cumulando-o com o de Gerente de Administração Adjunto.
Coordenou os Censos Agropecuários de 1975/1980/1985 e a reforma administrativa ocorrida no IBGE em 1987, que extinguiu o cargo de Delegado Adjunto, o levou a assumir o de Assessor, continuando como substituto do Delegado. Nova reforma o fez Assistente de Atividades Gerais do Departamento Regional Nordeste-3, em que ficou até 25.02.1992.

Eleito duas vezes em pleito nacional para o Conselho Técnico do IBGE, em maio de 1994 assumiu a Chefia do DERE/NE-3, com jurisdição nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão, permanecendo no cargo até a extinção do Departamento, em maio de 2002.

Desenvolveu intensa atividade junto à Assembléia Legislativa do Ceará quando das discussões sobre a criação de novos municípios. Publicou vários livros sobre a genealogia e a toponímia dos municípios nordestinos: “Pequeno Dicionário Toponímico do Ceará”; “Pequeno Dicionário Toponímico da Bahia”; “Fortaleza em preto e branco”; “Ciará terra do Sol”; “Gentílicos Nacionais e Internacionais”; “Dicionário Toponímico, Histórico e Geográfico do Nordeste” (todos esgotados), além do artigo “Criação de Municípios no Ceará”, publicado pela Revista Essentia, de Cultura, Ciência e Tecnologia da UVA, ano I, volume nº2.

Em 1995 foi diplomado pela Escola de Formação de Governantes e é Sócio Benemérito da Cooperativa de Cultura do Ceará (Coopcultura). Participa diariamente do Programa Narcélio Limaverde na Rádio FM 96.7 da Assembléia Legislativa do Ceará no quadro “Porque minha rua tem nome de político”.

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